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Diario do Grande ABC

27/09 - 11h01
Restauração de mosaico 'Bandeirantes' está pronta


Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC


O mural em mosaico de pastilha de vidro Bandeirantes, de Candido Portinari (1903-1962), executado em 1953 em uma parede no 1º andar do paulistano Hotel Comodoro e inaugurado no ano seguinte para o 4º centenário de São Paulo, foi removido do local pelo Ateliê Sarasá, que tem unidades em São Bernardo e na capital. Sexta-feira, a obra de 2,50m x 7,65m, formada por cerca de 70 mil pastilhas de formatos irregulares, pesando cerca de 800 quilos, saiu do Grande ABC para São Paulo em um caminhão-guindaste. Ela esteve na região desde meados de julho, onde foi limpa e teve finalizada a estrutura de alumínio que a sustenta. Seguiu para o Espaço Cultural BM&F (tel.: 3119-2000) para uma mostra que abre nesta terça-feira para convidados e quarta-feira para o público.

A obra, segurada no valor de US$ 1,6 milhão, pertence ao galerista Mauricio Pontual, do Rio, e aos donos do Hotel Comodoro. “Em 1998 fui chamado para avaliá-la e me foi entregue sua venda por US$ 2 milhões, só que ninguém acreditava que ele fosse removido com sucesso da parede. Em 2001 consultei especialistas da Itália, Espanha e Estados Unidos, mas fiquei em dúvida em relação aos projetos de remoção apresentados. Já no início deste ano contatei o Ateliê Sarasá e me senti seguro com a técnica de retirada proposta”, disse Pontual.

O Ateliê Sarasá está acostumado a desafios: traz no currículo realizações importantes como os restauros do fortes quinhentistas Fortaleza da Barra Grande, em Guarujá, e Fortaleza São João, em Bertioga, e dos vitrais da Catedral da Sé. Arnaldo Sarasá, um dos integrantes do clã de restauradores, explicou que no caso da remoção de Bandeirantes o trabalho teve um gosto especial, por conta da superação do aprimoramento técnico atingido pela equipe.

Para a retirada, a obra foi primeiro restaurada e depois transformada em uma espécie de quadro. “Fizemos um suporte provisório para fixar a superfície do mosaico. Usamos papel, tela de nylon e malha de madeira. Depois construímos uma estrutura metálica móvel para sustentá-lo. A partir daí, a parede em que o mosaico estava instalado foi desgastada por trás até as pastilhas, que foram removidas sem desmontar a composição”, afirmou Arnaldo.

Após foi feito um novo suporte instalado na parte de trás da obra, no qual foram utilizados materiais como tela de vidro e um tipo de alumínio muito rígido e leve usado na construção de aviões. A obra saiu do hotel com os dois suportes – o da frente foi tirado em São Bernardo.

“Nesse tipo de remoção, uma prática comum é serrar e carregar a parede inteira, mas não poderíamos fazer isso porque nela havia vigas estruturais do prédio, tubulações hidráulicas e fiação. Outra opção seria remover as pastilhas uma a uma, só que assim a quebra seria muito grande. Da maneira que fizemos, a quebra não atingiu nem 1% e arrumamos pastilhas da mesma época com o fabricante (Vidrotil). Assim, não houve variação de tons com a reposição”, disse Luis Martin Sarasá, pai de Arnaldo.

“Os Sarasá inovaram a técnica de remoção. Não temos conhecimento de que alguém já tenha feito algo similar. Também cremos que Bandeirantes é o maior mosaico móvel do mundo”, disse Pontual. “Do jeito que está, ele pode ser levado para qualquer lugar”, afirmou Luis.

O mosaico, que sempre esteve “aprisionado” no hotel, conforme termo usado por Pontual, tem com o evento no Espaço Cultural BM&F sua primeira exposição ao público em geral. A mostra, intitulada Portinari e o Trabalho, traz ainda 25 outras obras do artista paulista.

“Bandeirantes é a única obra que foge ao tema da exposição. Sua exibição é uma homenagem aos 450 anos de São Paulo. É o único mosaico em pastilha de vidro assinado por Portinari. Há outros feitos em pastilha de pasta de vidro, pastilhas quadradas, regulares”, disse Christina Penna, curadora da mostra e diretora técnica do Projeto Portinari, instituição do Rio que divulga a obra do pintor.

A exposição no Espaço Cultural BM&F é promovida paralelamente à Sala Projeto Portinari, montada na 26ªBienal de São Paulo (tel.: 5574-5922). “A sala na Bienal é uma celebração pelos 25 anos do Projeto Portinari e apresentação do raisonné, livro em cinco volumes e CD ROM que trazem a catalogação de 5 mil obras de Portinari. A sala conta com por exemplo com projeção de imagens de trabalhos que estão no catálogo e um raisonné impresso disponível para o manuseio”, afirmou João Candido Portinari, filho único do pintor e diretor do Projeto Portinari.

Para conhecer mais sobre Portinari e o Ateliê Sarasá, a dica é acessar, respectivamente, os sites www.portinari.org.br e www.sarasa.com.br na internet.


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